quarta-feira, 16 de março de 2011

RELATO DE PRÁTICA DA OLIMPÍADA 2010 - Parte I


Ízea Folha Damasceno Santos

Imperatriz – Maranhão

Por ter participado da última edição da Olimpíada de Língua Portuguesa e reconhecer a importância do estudo do gênero artigo de opinião na construção de argumentações e de boas produções escritas, antes que o material oficial chegasse, comecei a elaborar situações de aprendizagem, envolvendo a análise de textos contendo questões polêmicas.

Logo que o jogo Q.P Brasil da Olimpíada chegou à escola, fui atraída pela maneira lúdica e criativa de como as questões eram apresentadas. As argumentações dos alunos, requeridas pela proposta, eram, a princípio, tímidas e com pouca fundamentação teórica. Os comentários giravam mais em torno de exemplos vividos por eles. Percebi, então, que teríamos uma longa jornada pela frente. Entretanto, avaliando os resultados positivos nas produções dos alunos, na edição anterior, senti que valeria a pena investir nas oficinas, em tempo de leitura, escrita e reescrita.

Ao analisar com os alunos o jogo das questões polêmicas, pude perceber o deslumbramento diante da proposta. O interessante é que além dos temas controversos, cada caixa de argumentos continha um comentário de autoridade em área específica e isso trazia subsídios aos alunos, que muitas vezes deixavam de escrever por acharem que não sabiam nada sobre o tema. À medida que as cartas do jogo traziam reforço aos comentários pessoais, começaram a perceber que uma boa argumentação só viria a partir do estudo mais apurado sobre o tema. Sentiram, então, necessidade de visitar sites especializados, ler artigos científicos, beber em diversas fontes que pudessem reforçar o conhecimento de mundo que lhes era próprio.

(A imagem acima é demonstrativa da estrutura do Jogo QP Brasil - das questões polêmicas)

TEXTO PREMIADO ENTRE OS 38 MELHORES DO BRASIL - OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA 2010


EUCALIPTO: PROGRESSO OU RETROCESSO?

O Distrito Industrial do Pequiá, situado no município de Açailândia, no Sul do Maranhão, está passando por um sério problema ocasionado pelo plantio de eucaliptos para a fabricação do carvão. Este fato vem provocando uma série de divergências entre a população afetada pela poluição e as siderúrgicas instaladas no local.

Pedro Gutemberg, diretor do departamento de tecnologia e assistência técnica em ferrosos da Vale, empresa responsável pelas carvoarias, relata que a firma trouxe grandes oportunidades de trabalho, incentivo à qualificação, e ainda a geração de recursos para a cidade, além de afirmar que 38 mil hectares são destinados à reserva florestal, fazendo uso apenas de 34 mil, onde encontram-se aproximadamente 38 milhões de pés de eucaliptos.

Por outro lado, biólogos e moradores próximos a essas áreas apontam os riscos provocados à saúde e ao meio ambiente.

Dados revelam que Açailândia é responsável por 80% da produção de carvão, que serve tanto para aquecer fornos, como para se fundir ao ferro, servindo como reagente na transformação do metal.

Segundo o secretário de desenvolvimento, ciência e tecnologia do Pará, Maurílio Monteiro, os impactos são diversos, pois o material utilizado para a fabricação do carvão, o eucalipto, que não é uma planta nativa desta região, exige um grande consumo de água, pois apenas uma árvore é capaz de consumir diariamente 30 litros de água, e 36,5 mil litros por ano, provocando o empobrecimento do solo e dos lençóis freáticos; além da fumaça gerada na queima do eucalipto, que libera gases prejudiciais à atmosfera, contribuindo para a elevação da temperatura global, causando também problemas respiratórios.

Em entrevista a moradores do local, um senhor de 80 anos, que mora próximo às carvoarias, relatou sofrer com o problema que se agrava mais ainda pela falta de assistência, sem contar que muitos deixarão suas terras, sem nem ao menos saberem se serão indenizados.

A empresa alega gerar lucros para a região. Mas pesquisas realizadas comprovam que os empregos gerados pelo setor siderúrgico são pequenos, se comparados aos reais benefícios que poderiam ser gerados à população local; e os salários médios também não são suficientes para provocar alterações de renda na região. Observando a situação, percebe-se que a empresa tem papel significativo dentro e fora do país, mas para a região, os retornos não são tão visíveis.

Não se trata de obrigá-los a sair ou extinguir a produção, mas é possível dialogar junto a órgãos responsáveis pelo meio ambiente, para articular estratégias que minimizem os impactos sociais e ambientais. É preciso, também, fazer com que não fique só no papel o dever que eles têm de reflorestar a área devastada, com árvores que não prejudiquem o solo e preservem a biodiversidade local, disponibilizando recursos para a implantação, por exemplo, de um queimador de fumaça, projeto que visa reduzir a poluição, proposto pela empresa, mas que ainda não foi implantado. Outras ações ainda podem ser executadas em parceria com governo, empresas e demais representantes da sociedade civil.

Apesar de tais problemas serem causados por ações não planejadas de uma empresa privada, essa luta é de toda a população junto aos governantes que foram escolhidos para representá-la. Dizer que esse é um problema a ser resolvido apenas pela empresa, não justifica a falta de engajamento em prol de melhorias. Afinal, os problemas que aparentemente tem consequências apenas locais afetam a todos, indistintamente.

Aluna: Maria da Conceição Fonseca Barros

Professora: Ízea Folha Damasceno Santos

Centro de Ensino Jonas Ribeiro (Colégio Militar Tiradentes – Unidade de Imperatriz)





No dia 16 de novembro de 2010, a aluna Maria da Conceição Fonseca Barros, estudante da 3ª Série do Ensino Médio, do Colégio Militar Tiradentes de Imperatriz, e sua professora Ízea Folha Damasceno Santos, partiram para São Paulo. A ocasião foi a semifinal da II Olimpíada de Língua Portuguesa. O texto produzido pela aluna, que enquadra-se no gênero artigo de opinião, concorreu com mais de 17.000, sendo classificado entre os 125 melhores do Brasil. Durante as oficinas realizadas no evento, o texto foi trabalhado em busca de aperfeiçoamento, garantindo a aluna a classificação entre os 38 textos que irão para a grande final, em Brasília, nos dias 28 a 30 de novembro. O artigo que já foi premiado, com medalhas de bronze e prata, aborda uma questão polêmica local: “Eucalipto: Progresso ou Retrocesso?”, representando bem a cidade de Imperatriz e o estado do Maranhão.