quarta-feira, 16 de março de 2011

TEXTO PREMIADO ENTRE OS 38 MELHORES DO BRASIL - OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA 2010


EUCALIPTO: PROGRESSO OU RETROCESSO?

O Distrito Industrial do Pequiá, situado no município de Açailândia, no Sul do Maranhão, está passando por um sério problema ocasionado pelo plantio de eucaliptos para a fabricação do carvão. Este fato vem provocando uma série de divergências entre a população afetada pela poluição e as siderúrgicas instaladas no local.

Pedro Gutemberg, diretor do departamento de tecnologia e assistência técnica em ferrosos da Vale, empresa responsável pelas carvoarias, relata que a firma trouxe grandes oportunidades de trabalho, incentivo à qualificação, e ainda a geração de recursos para a cidade, além de afirmar que 38 mil hectares são destinados à reserva florestal, fazendo uso apenas de 34 mil, onde encontram-se aproximadamente 38 milhões de pés de eucaliptos.

Por outro lado, biólogos e moradores próximos a essas áreas apontam os riscos provocados à saúde e ao meio ambiente.

Dados revelam que Açailândia é responsável por 80% da produção de carvão, que serve tanto para aquecer fornos, como para se fundir ao ferro, servindo como reagente na transformação do metal.

Segundo o secretário de desenvolvimento, ciência e tecnologia do Pará, Maurílio Monteiro, os impactos são diversos, pois o material utilizado para a fabricação do carvão, o eucalipto, que não é uma planta nativa desta região, exige um grande consumo de água, pois apenas uma árvore é capaz de consumir diariamente 30 litros de água, e 36,5 mil litros por ano, provocando o empobrecimento do solo e dos lençóis freáticos; além da fumaça gerada na queima do eucalipto, que libera gases prejudiciais à atmosfera, contribuindo para a elevação da temperatura global, causando também problemas respiratórios.

Em entrevista a moradores do local, um senhor de 80 anos, que mora próximo às carvoarias, relatou sofrer com o problema que se agrava mais ainda pela falta de assistência, sem contar que muitos deixarão suas terras, sem nem ao menos saberem se serão indenizados.

A empresa alega gerar lucros para a região. Mas pesquisas realizadas comprovam que os empregos gerados pelo setor siderúrgico são pequenos, se comparados aos reais benefícios que poderiam ser gerados à população local; e os salários médios também não são suficientes para provocar alterações de renda na região. Observando a situação, percebe-se que a empresa tem papel significativo dentro e fora do país, mas para a região, os retornos não são tão visíveis.

Não se trata de obrigá-los a sair ou extinguir a produção, mas é possível dialogar junto a órgãos responsáveis pelo meio ambiente, para articular estratégias que minimizem os impactos sociais e ambientais. É preciso, também, fazer com que não fique só no papel o dever que eles têm de reflorestar a área devastada, com árvores que não prejudiquem o solo e preservem a biodiversidade local, disponibilizando recursos para a implantação, por exemplo, de um queimador de fumaça, projeto que visa reduzir a poluição, proposto pela empresa, mas que ainda não foi implantado. Outras ações ainda podem ser executadas em parceria com governo, empresas e demais representantes da sociedade civil.

Apesar de tais problemas serem causados por ações não planejadas de uma empresa privada, essa luta é de toda a população junto aos governantes que foram escolhidos para representá-la. Dizer que esse é um problema a ser resolvido apenas pela empresa, não justifica a falta de engajamento em prol de melhorias. Afinal, os problemas que aparentemente tem consequências apenas locais afetam a todos, indistintamente.

Aluna: Maria da Conceição Fonseca Barros

Professora: Ízea Folha Damasceno Santos

Centro de Ensino Jonas Ribeiro (Colégio Militar Tiradentes – Unidade de Imperatriz)




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