segunda-feira, 29 de agosto de 2011

ENTREVISTA SOBRE A INCIDÊNCIA DE CASOS DE BULLYING NA ESCOLA - TABULAÇÃO DOS DADOS





Os alunos do 2º ano do Ensino Médio, do Centro de ensino Governador Archer, estiveram reunidos na própria escola, nos turnos vespertino e matutino, para entrevistar 200 alunos. Após essa etapa, foram distribuídas as folhas para que se fizesse a tabulação dos dados. Os alunos afirmaram que essa atividade estava trazendo muito prazer, pois era algo interessante e que eles nunca haviam realizado.


terça-feira, 9 de agosto de 2011


2º ano A - GOVERNADOR ARCHER


Análise de um artigo de opinião: "Sou contra a redução da maioridade penal"

Observar os dois lados da questão polêmica




segunda-feira, 18 de julho de 2011

ESCREVER


(Texto de Leriana Girlen, aluna da 2ª Série do Ensino Médio, do CE Governador Archer)

Escrever sempre foi uma forma de escapar pra mim. Sempre senti a necessidade quase visceral de pôr pra fora o que eu sinto. Só que não sabia canalizar isso na minha vida. Geralmente escrevia quando estava triste pra desabafar...
E isso sempre me fez bem, sempre me aliviou por dentro. Porém, agora aprendo a escrever em todos os momentos. Minha voz na maioria das vezes é o papel e a caneta.
Só que em alguns casos, nem tudo o que possa escrever revela com precisão o que eu sinto, mas de uma certa forma, tento assimilar isso!
Escrevo o que sinto, o que muitas vezes penso, e o que transmito. Escrever é uma forma de me deixar aliviada e realizada! Uma forma de desabafar pra mim mesma aquilo que se aprisiona em meu peito.
Muitas vezes Sorrio, faço com que pensem que tá tudo bem, sendo que não está!
Por fora uma imagem perfeita, um sorriso maravilhado e, por dentro, um peito despedaçado, uma alma em prantos, pensamentos perdidos, e tantas incertezas!
Existem momentos e pessoas que fazem com que isso mude, mas só por alguns instantes, mas só por alguns momentos. Isso é questão de tempo!
Às vezes estou triste, porém sou feliz, mas existem momentos que não entendo, que me sinto amargurada, sozinha, largada... Esses momentos, sim: me PERTURBAM muito, me deixam cada vez mais em dúvida. Esses momentos, às vezes me perseguem!
Eu tento ignorar e tento me renovar a cada dia!
Vivendo em alegria, que talvez seja uma mera fantasia!
Vivendo de um sorriso, que nem sempre é sincero e sim singelo, que por trás dele, escondem-se muitas incertezas e até mesmo muitas dores e mágoas, lágrimas e história!
Por trás de um sorriso que dá pra enganar, existe uma menina que vive a buscar algo que nem ela mesma sabe.
Só busca o que não encontra, e encontra o que não busca!
Se ofusca...
Sinto vontade de me isolar, de fugir, me esconder, mas o jeito é encarar de peito aberto e de um sorriso transparente, que não diz o que sente!...
Escrever pra mim? É uma forma de escapar do mundo, de tudo e de todos, uma forma de desabafar, sem medo e sem segredo. Por isso que eu escrevo!

sábado, 7 de maio de 2011

EQUIPE PREMIADA

Na primeira foto, a professora Rosana, que muito contribuiu para que chegássemos ao resultado na Olimpíada, com o fruto de um trabalho coletivo: o livro contendo a publicação dos 38 melhores textos do Brasil, juntamente com a aluna premiada. Na segunda foto, a própria aluna, Maria da Conceição, com um dos prêmios da Olimpíada; a professora Ízea, com o diploma de finalista; a nossa diretora pedagógica, com a placa de homenagem à escola. Parabéns à escola!


RELATO DE PRÁTICA DA OLIMPÍADA DE LINGUA PORTUGUESA 2010 - PARTE II - PROFESSORA FINALISTA



Tenho compreendido a importância de se trabalhar sequências didáticas planejadas, com práticas de linguagem bem contextualizadas; e as oficinas da Olimpíada de Língua Portuguesa cumprem bem esse papel. O mais fantástico é que não se trata de um material engessado, mas diz respeito a: “O lugar onde eu vivo”, adequando-se, portanto, à realidade de cada região.

Logo no primeiro bimestre, incluí no meu planejamento uma oficina com base no material da edição anterior. Utilizamos um artigo de Lya Luft, “Os filhos do lixo”, e começamos o diagnóstico sobre o conhecimento dos alunos acerca do gênero estudado. Além de saber informações sobre a autora, foram levantados questionamentos sobre a polêmica inserida no texto, os argumentos, os dois lados da questão, levados a observar se havia solução para o problema e se o aluno reconhecia o porquê daquele texto estar enquadrado como artigo de opinião.

No geral, as respostas foram satisfatórias. Alguns alunos meio receosos, mas com muita vontade de acertar, adentraram o texto e começaram a desvendar o mistério, respondendo às questões propostas. “Professora, é complicado encontrar essas vozes que estão dentro do artigo” – comentou uma aluna, tentando responder, achando que não conseguiria realizar tal façanha. Para mostrar que vale a pena investir tempo em orientação, quero relatar que essa foi uma das alunas que, durante o processo de construção, demonstrou mais interesse e se apropriou de questões fundamentais acerca de um artigo. Eis um fragmento de um de seus textos, que teve como título “A Superlotação da CCPJ em Imperatriz”:

“A central de Custódia de Presos da Justiça(CCPJ), em Imperatriz, encontra-se atualmente superlotada, com uma média de 300 presos, o triplo de sua capacidade. Por esse motivo, foi interditada em maio deste ano pelo Promotor de Justiça, Domingos Eduardo, da 5ª Vara Criminal de Imperatriz, pela segunda vez. O caso chegou a esse ponto pelo fato de que há presos de outras comarcas, de outros estados, que não deveriam estar em nossa cidade.” Nesse fragmento, a aluna demonstra a compreensão dos aspectos que devem fazer parte de uma introdução, mencionando a cidade em que habita e apontando o problema em questão. Por motivo de espaço, não registrarei o restante da produção. O certo é que a aluna que parecia não entender nada sobre este gênero, ganhou autonomia na produção escrita, através da prática nas oficinas.

Já com o material desta edição em mãos, demos início à 2ª oficina do caderno “Pontos de vista”. As coisas foram, aos poucos, se delineando. A proposta tratava da diferença entre notícia e artigo de opinião, quando os alunos foram instigados a produzir argumentos baseados na leitura da notícia: “Menino de 9 anos é internado após agressão em escola”. Foram interrogados se a agressão tinha justificativa, sobre o que teria causado tão alto nível de violência e se havia preconceito por trás da reação. Após esse debate, os alunos foram convidados a argumentar, por escrito, sobre comportamentos preconceituosos. Precisariam, portanto, conhecer mais profundamente os aspectos presentes em um artigo de opinião, como a questão polêmica, os argumentos conflitantes e a posição do autor. Em oficinas posteriores, tiveram a oportunidade de identificar artigos de opinião em revistas renomadas e de identificar as peculiaridades do gênero.

Uma das oficinas trazia a sugestão de temas polêmicos que poderiam ser trabalhados em sala de aula. Alguns deles causaram muita discussão, tais como: “A pena de morte ajuda a diminuir a criminalidade?”, “A sociedade tem o direito de tirar a vida de um criminoso?”. Outros, mais ligados aos próprios alunos, como: “Deve-se proibir o uso do celular em sala de aula?”. Algumas dessas e outras questões foram abordadas, dividindo a turma em grupos e dando um tempo para defenderem seu ponto de vista. Já era possível perceber o avanço argumentativo. Isso me deu ânimo para prosseguir.

Em outro momento, começamos a traçar o rumo para o artigo de opinião definitivo. Orientei que os temas deveriam estar relacionados a uma questão polêmica que tivesse relevância para os habitantes da região. Surgiram muitas propostas, as quais foram debatidas e analisadas, a fim de saber a importância daquele tema, tanto no aspecto local quanto global.

A 13ª oficina foi decisiva para a compreensão das particularidades de um artigo. Primeiramente foi entregue um texto que apresentava alguns problemas estruturais, pois não continha os critérios essenciais ao gênero. Tratava-se do artigo: “O lugar onde eu vivo”. Paralelo a esse texto, foi apresentado um outro, já aperfeiçoado, que se aproximava mais das marcas do artigo desejado. A começar pelo título, o primeiro não despertava curiosidade. Foi a mera transcrição do tema da Olimpíada. O texto aprimorado apresentava o seguinte título: “Os problemas de Samambaia do Leste têm solução?”. Comparando os dois títulos, percebeu-se que o segundo já apontava para o que seria tratado no corpo do texto, sendo, portanto, mais específico. O primeiro não formulou bem a questão polêmica, deixando de apresentar vozes por trás dos argumentos, utilizando uma maneira superficial de analisar os dados, sem deixar claras as possibilidades de conciliação ou encaminhamentos para os problemas apontados.

Os alunos puderam perceber que o segundo texto apresentava fundamentação teórica, dados estatísticos, expressão das partes envolvidas, prós e contras. No fechamento, não havia utopia em afirmar solução definitiva, mas apontava o fato de que boa parte dos problemas poderiam ser resolvidos, se determinadas medidas fossem tomadas.

Parece que estavam aptos a escrever os artigos definitivos. Dentre as muitas polêmicas trabalhadas no decorrer das oficinas, algumas se destacaram: “Zorra eleitoral”, que tinha a ver com os níveis elevados de decibéis advindos das propagandas políticas nos carros de som; “A Inclusão dos ex-presidiários na sociedade imperatrizense”; “A Lei, a educação e a palmada”; “Táxi-lotação: opção ou necessidade?”; “Copa do Mundo com miséria social?”; “Ficha limpa: problema ou solução?”; “Eucalipto: Progresso ou Retrocesso?”

Alguns desses textos poderiam estar classificados entre os melhores. Entretanto, no momento da seleção foram relembrados os critérios avaliativos, os quais já haviam sido mencionados em momentos anteriores. Dos temas-título mencionados acima, apenas o “Zorra eleitoral” teria duplo sentido, não fosse a explicação dada paralelamente. Entretanto, outros títulos nas produções dos alunos eram inconsistentes, como por exemplo: “O trabalho Infantil”. Orientamos, então, que o aluno repensasse seu título, focalizando-o, apontando para um problema mais específico.

Confesso que dos títulos mencionados, o texto: “Copa do Mundo com miséria social?” atendia bem aos aspectos de abordagem do problema na introdução, deixando claro que o ponto de vista da autora dizia respeito à questão de o Brasil sediar uma copa com tantos problemas internos, apontando as vozes de quem era contra e a favor. O critério que não estava sendo muito atendido nesse texto era o regional, pois apesar de se estar no Brasil, havia outros textos em que o aspecto local estava bem mais explicitado. Essa análise coletiva foi muito proveitosa, concedendo aos alunos mais domínio sobre as propriedades de um artigo, gerando um olhar mais crítico, uma visão das partes e do todo, fundamentais à arte de escrever.

Os resultados do processo foram muito positivos. Ao reviver a dinâmica do Jogo das questões polêmicas, fui surpreendida com os argumentos dos alunos. Os comentários não eram mais superficiais, não iniciavam com “eu acho”, buscavam suporte interdisciplinar, fundamentados na voz de autoridades na área, convictos do que estavam afirmando. Esse momento me fez sentir que valeu a pena. Foram passos importantes na construção de comportamentos leitores e escritores. Experiências que ficarão pra sempre em minha memória e a certeza de ter contribuído na formação de leitores mais críticos e autônomos, certos de suas possibilidades investigativas e criativas.

quarta-feira, 16 de março de 2011

RELATO DE PRÁTICA DA OLIMPÍADA 2010 - Parte I


Ízea Folha Damasceno Santos

Imperatriz – Maranhão

Por ter participado da última edição da Olimpíada de Língua Portuguesa e reconhecer a importância do estudo do gênero artigo de opinião na construção de argumentações e de boas produções escritas, antes que o material oficial chegasse, comecei a elaborar situações de aprendizagem, envolvendo a análise de textos contendo questões polêmicas.

Logo que o jogo Q.P Brasil da Olimpíada chegou à escola, fui atraída pela maneira lúdica e criativa de como as questões eram apresentadas. As argumentações dos alunos, requeridas pela proposta, eram, a princípio, tímidas e com pouca fundamentação teórica. Os comentários giravam mais em torno de exemplos vividos por eles. Percebi, então, que teríamos uma longa jornada pela frente. Entretanto, avaliando os resultados positivos nas produções dos alunos, na edição anterior, senti que valeria a pena investir nas oficinas, em tempo de leitura, escrita e reescrita.

Ao analisar com os alunos o jogo das questões polêmicas, pude perceber o deslumbramento diante da proposta. O interessante é que além dos temas controversos, cada caixa de argumentos continha um comentário de autoridade em área específica e isso trazia subsídios aos alunos, que muitas vezes deixavam de escrever por acharem que não sabiam nada sobre o tema. À medida que as cartas do jogo traziam reforço aos comentários pessoais, começaram a perceber que uma boa argumentação só viria a partir do estudo mais apurado sobre o tema. Sentiram, então, necessidade de visitar sites especializados, ler artigos científicos, beber em diversas fontes que pudessem reforçar o conhecimento de mundo que lhes era próprio.

(A imagem acima é demonstrativa da estrutura do Jogo QP Brasil - das questões polêmicas)

TEXTO PREMIADO ENTRE OS 38 MELHORES DO BRASIL - OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA 2010


EUCALIPTO: PROGRESSO OU RETROCESSO?

O Distrito Industrial do Pequiá, situado no município de Açailândia, no Sul do Maranhão, está passando por um sério problema ocasionado pelo plantio de eucaliptos para a fabricação do carvão. Este fato vem provocando uma série de divergências entre a população afetada pela poluição e as siderúrgicas instaladas no local.

Pedro Gutemberg, diretor do departamento de tecnologia e assistência técnica em ferrosos da Vale, empresa responsável pelas carvoarias, relata que a firma trouxe grandes oportunidades de trabalho, incentivo à qualificação, e ainda a geração de recursos para a cidade, além de afirmar que 38 mil hectares são destinados à reserva florestal, fazendo uso apenas de 34 mil, onde encontram-se aproximadamente 38 milhões de pés de eucaliptos.

Por outro lado, biólogos e moradores próximos a essas áreas apontam os riscos provocados à saúde e ao meio ambiente.

Dados revelam que Açailândia é responsável por 80% da produção de carvão, que serve tanto para aquecer fornos, como para se fundir ao ferro, servindo como reagente na transformação do metal.

Segundo o secretário de desenvolvimento, ciência e tecnologia do Pará, Maurílio Monteiro, os impactos são diversos, pois o material utilizado para a fabricação do carvão, o eucalipto, que não é uma planta nativa desta região, exige um grande consumo de água, pois apenas uma árvore é capaz de consumir diariamente 30 litros de água, e 36,5 mil litros por ano, provocando o empobrecimento do solo e dos lençóis freáticos; além da fumaça gerada na queima do eucalipto, que libera gases prejudiciais à atmosfera, contribuindo para a elevação da temperatura global, causando também problemas respiratórios.

Em entrevista a moradores do local, um senhor de 80 anos, que mora próximo às carvoarias, relatou sofrer com o problema que se agrava mais ainda pela falta de assistência, sem contar que muitos deixarão suas terras, sem nem ao menos saberem se serão indenizados.

A empresa alega gerar lucros para a região. Mas pesquisas realizadas comprovam que os empregos gerados pelo setor siderúrgico são pequenos, se comparados aos reais benefícios que poderiam ser gerados à população local; e os salários médios também não são suficientes para provocar alterações de renda na região. Observando a situação, percebe-se que a empresa tem papel significativo dentro e fora do país, mas para a região, os retornos não são tão visíveis.

Não se trata de obrigá-los a sair ou extinguir a produção, mas é possível dialogar junto a órgãos responsáveis pelo meio ambiente, para articular estratégias que minimizem os impactos sociais e ambientais. É preciso, também, fazer com que não fique só no papel o dever que eles têm de reflorestar a área devastada, com árvores que não prejudiquem o solo e preservem a biodiversidade local, disponibilizando recursos para a implantação, por exemplo, de um queimador de fumaça, projeto que visa reduzir a poluição, proposto pela empresa, mas que ainda não foi implantado. Outras ações ainda podem ser executadas em parceria com governo, empresas e demais representantes da sociedade civil.

Apesar de tais problemas serem causados por ações não planejadas de uma empresa privada, essa luta é de toda a população junto aos governantes que foram escolhidos para representá-la. Dizer que esse é um problema a ser resolvido apenas pela empresa, não justifica a falta de engajamento em prol de melhorias. Afinal, os problemas que aparentemente tem consequências apenas locais afetam a todos, indistintamente.

Aluna: Maria da Conceição Fonseca Barros

Professora: Ízea Folha Damasceno Santos

Centro de Ensino Jonas Ribeiro (Colégio Militar Tiradentes – Unidade de Imperatriz)





No dia 16 de novembro de 2010, a aluna Maria da Conceição Fonseca Barros, estudante da 3ª Série do Ensino Médio, do Colégio Militar Tiradentes de Imperatriz, e sua professora Ízea Folha Damasceno Santos, partiram para São Paulo. A ocasião foi a semifinal da II Olimpíada de Língua Portuguesa. O texto produzido pela aluna, que enquadra-se no gênero artigo de opinião, concorreu com mais de 17.000, sendo classificado entre os 125 melhores do Brasil. Durante as oficinas realizadas no evento, o texto foi trabalhado em busca de aperfeiçoamento, garantindo a aluna a classificação entre os 38 textos que irão para a grande final, em Brasília, nos dias 28 a 30 de novembro. O artigo que já foi premiado, com medalhas de bronze e prata, aborda uma questão polêmica local: “Eucalipto: Progresso ou Retrocesso?”, representando bem a cidade de Imperatriz e o estado do Maranhão.